TRISTES CARNAVAIS: A ESTAÇÃO MUNDO E A LINHA DA SAUDADE DE CARLOS BRUNNO S. BARBOSA



Weberson Fernandes Grizoste[1]
UNIVERSIDADE DE COIMBRA


Adeus, ex-amor. Se esperas lágrimas de meus olhos
Esquece! Um Martini seco é mais sedutor que uma tristeza vã.
Carlos Brunno


«O sentimento da unidade latino-americana é o limiar de um novo tempo. O esforço da organização para eliminar a opressão dos poderosos e construir um destino maior e mais justo é o compromisso solene de todos nós». Esta frase de Orestes Quércia, ex-governador do Estado de São Paulo, está escrita no pedestal de uma das esculturas mais conhecidas do Brasil: a Mão, escultura de Oscar Niemeyer, em cuja palma vemos a América Latina; feita em concreto aparente, com baixo-relevo com pintura em esmalte sintético, possui sete metros de altura. Este monumento, localizado na Praça Cívica, no bairro Barra Funda, na cidade de São Paulo, é parte integrante do projeto cultural desenvolvido pelo antropólogo Darcy Ribeiro. Quem chega pela entrada do metrô, no portão 1, no Memorial da América Latina, encontra com esta magnífica obra.
A obra de Carlos Brunno S. Barbosa, feita por Felipe Bernardes Avila Duboc, possui uma mão que emerge como de um lago, o sentido de socorro aparece inclusive no título da obra: O último adeus aparece grafado em letra chiller, inclusive o subtítulo entre parênteses (ou o primeiro pra sempre). Posteriormente o poeta divide os poemas em seis estações de embarque distribuídas pela Linha Saudade, recordando uma linha férrea[2]. Nesta Linha da Saudade faremos uma paragem na Estação Mundo, ou Nossa Estação. Esta estação, como todas as outras, é uma espécie de calátide: comparemos as poesias como flores e o poeta como um jardineiro; ele cultiva-as e depois reúne-as num receptáculo comum. A Estação Mundo possui, além de um poema-prosa introdutório intitulado de A Agulha e a História, quinze poemas. São poemas que refletem a condição do homem americano, nomeadamente o brasileiro.
No poema-prosa introdutório Carlos Brunno reúne Napoleão, Tiradentes, Hitler e Getúlio Vargas, e entre eles, um cidadão desconhecido sentindo-se pequeno e solitário como uma agulha no palheiro. São os loucos, mártires, ditadores, sonhadores e sucessos da média que aparecem nos livros de história. Parecem deuses entre os imortais, diz o poeta. Não à toa que em Roma e no Egito antigo, bem como em outras civilizações primitivas, os governantes eram tidos como deuses, semideuses e filho dos deuses. As personalidades citadas pelo poeta Carlos Brunno, assim como os imperadores-deuses da Roma Antiga, como um César, foram vítimas de suas convicções políticas: Napoleão desterrado, Tiradentes enforcado, Hitler e Getúlio suicidaram-se quando a manutenção do poder se tornou insustentável. Nesse universo de vítimas políticas surge a agulha no palheiro, um objeto que busca ser homem, ter um nome, ter um rosto, uma alma, uma novidade para os seus olhos cansados de impérios, forcas, preconceitos e suicídios induzidos. Este homem solitário que não se encontra socialmente, apesar de que mais do que nunca o mundo se encontra superpovoado. O poeta escreve como quem ignora que sendo o Brasil um país imenso e despovoado, a quantidade de brasileiros só perde para quatro outras nações; ou seja, o Brasil é grande e despovoado, mas os brasileiros são muitos. Mesmo assim o brasileiro é solitário. Essa solidão é desencadeada pela falta da identidade que o brasileiro sente em face dos outros povos.
Esse paradoxo identitário não é novo, suas raízes surgiram no romantismo durante a era de ascensão dos bacharéis mulatos, mas esse conflito já estava impregnado na sociedade. Euclydes da Cunha refletindo a formação do povo brasileiro concluiu que  a mistura de raças é mui diversas e na maioria das vezes prejudicial, porque ante as conclusões do evolucionismo, ainda quando reaja sobre o produto o influxo da raça superior, despontam gravíssimos estigmas da inferior. A mestiçagem extremada é um retrocesso. O indo-europeu, o negro e o brasilio-guarani ou o tapuia, exprimem estádios evolutivos que se fronteiam, e o cruzamento, sobre obliterar as qualidades preeminentes do primeiro é um estimulante à revivênscia dos atributos primitivos dos últimos[3]. O mestiço, mulato, mameluco ou cafuzo, menos que um intermediário, é um decaído, sem energia física dos ascendentes selvagens, sem a atitude intelectual dos ancestrais superiores[4]. Nessa luta sem tréguas o mestiço é um intruso, não lutou, não é uma integração de esforços, é alguma coisa de dispersivo e dissolvente. Surge de repente sem caracteres próprios, oscilando entre influxos opostos de legados dicordes[5]. Eis o porque do conflito desse homem brasileiro. Diante dos cartéis dos livros de história o brasileiro não consegue se encontrar e por isso está a procura de ser um homem; de ter um nome, um gentílico respeitável diante das outras nações do mundo; e como parte desse nome está a gana de ter um rosto que o identifique, porque a pluralidade de raças no Brasil privou-o de uma raça que o identifique como a maioria das nações do mundo. A procura dessa alma brasileira, porque o homem só pode sentir-se como homem quando tem consciência de sua alma; ao passo que o brasileiro está sempre a procura dos seus antepassados mormente oriundos de outras partes do mundo. Não é de hoje que o Brasil tem sido identificado como a Judeia, aqui convivem pacificamente um povo ordeiro: americanos, africanos, europeus e por último os asiáticos; lutam entre si na formação identitária que consiste basicamente em incutir na Estação Mundo um homem, o brasileiro de fato.
Contudo, a noção do político homem-deus assume uma dimensão animalesca num outro poema, Partido partido. Neste poema, Carlos Brunno renova um ditado popular segundo o qual “muda a coleira, mas o cachorro é o mesmo”; as feições desse poema remetem a um estado de degradação muito superior ao desta frase supracitada: aqui o político é comparado ao porco e os partidos comparados aos chiqueiros:

O único adeus que nada modifica
é troca de partido
de político turista
Muda-se o chiqueiro
Mas o porco é o mesmo

A evocação do chiqueiro traz consigo a imagem da podridão deste ambiente; porque o porco é capaz de lavar-se na água e em seguida mergulhar na lama. A carne do porco pode ser saborosa, mas ela é potencialmente um transmissor de doenças, tanto que no Antigo Testamento os Judeus foram proibidos de comerem da sua carne[6]. O político comparado ao porco evoca a religião da nação, para lembrá-la que no passado esse animal foi proibido. Há um lamento implícito por parte do poeta, porque não é qualquer político que é comparado ao porco, mas o político turista; uma crítica a infidelidade partidária e ideológica pela maior parte dos políticos. Muitos anos antes Gonçalves Dias em sua Meditação dizia que a política brasileira era mesquinha e vergonhosa e não era feita de ideias, porém de coisas[7]. O texto de Gonçalves Dias é de 1846 e de lá até 2004 não houve grandes progressos, tanto que Carlos Brunno detecta o mesmo grau de deterioramento. A recordação de um chiqueiro remete para a crítica feita por Gonçalves Dias: o Brasil tinha sido feito retretes de Portugal[8]. Sentina e chiqueiro tem os mesmos significados e a correlação lembra-nos que numa casa o menor cômodo é o retrete; que por sua vez recorda-nos que o menor território é o Distrito Federal, onde situa-se os políticos mais poderosos da nação. A crítica de Carlos Brunno é que este adeus partidário nada modifica, porque em verdade os políticos não legislam em favor de ideias, mas de causas individuais, como dizia Gonçalves Dias.
Junto com essa crítica, num outro poema intitulado de Não cantamos mais rock’n roll, Carlos Brunno recorda que há muito tempo não cantamos mais rock’n roll e que há muito tempo o último grito de revolta foi ouvido, sendo posteriormente mastigado pelo silêncio dos nossos vícios. A Era do rock’n roll ficou conhecida pela libertinagem dos amantes desse estilo musical, por isso o poeta recorda a juventude perdida na dose excessiva da mesma bebida. Esses jovens causaram uma revolução no pensamento Ocidental e deixaram um legado visível nos dias atuais. Hoje parte das nossas reivindicações contrariam as religiões milenares e inclusive as reformadas que surgiram em parte da discrepância de ideias com este antigo clã. Mas, o fato de os brasileiros terem esquecido o ganho que aqueles jovens iniciaram nos Estados Unidos na década de 40 do século passado, faz com que o poeta lamente que há muito tempo apenas pensamos e que lá se foi a última gota daquela bebida: a bebida da vida, do sexo, das drogas e do rock’n roll. Não que o brasileiro, esse homem alegre, festivo e sorridente tenha deixado de festejar e esse caráter é evocado no poema anterior ao supracitado; mas porque o brasileiro, apaixonado pelas festas, esqueceu-se de reivindicar como o amante de rock’n roll. É possível que transformemos a sociedade através do Carnaval, assim como os metaleiros revolucionaram, ou no mínimo se impuseram diante do pensamento conservador Ocidental. O poema de Carlos Brunno, Depois do carnaval (Pra não dizer que não falei de paixão nacional) é obviamente uma evocação de uma música de Geraldo Vandré: Pra não dizer que não falei de flores. A melodia de Vandré, apresentada no Festival Internacional da Canção de 1868 ficou em segundo lugar na competição e foi proibida durante anos, pela ditadura militar brasileira sob a alegação de que havia ofensa à instituição nos versos:

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão.

Essa canção tornou-se a música dos revolucionários que pediram o fim da ditadura no Brasil. O seu sucesso incitou o povo à resistência e por isso Carlos Brunno evoca-a no seu poema, dessa vez para criticar os brasileiros, cujos corações pulavam tanto durante o carnaval para depois hibernarem no restante do ano, induzidos pelo clorifórmio. Depois do carnaval, o verde amarelado da camisa do folião embriagado descansava ao sol ao invés de ser estampada diante das autoridades com a mesma garra que se entregavam à paixão nacional; a ressaca pairava nos óculos da mulata pálida e nos pedidos dos clientes emergentes nas farmácias de plantão, uma clarividente referência a pílula do dia seguinte. Depois do carnaval o folião se virava para o futebol e o poeta desiludido diz:

                                 Teus olhos me chutam
Como uma bola pra fora depois do escanteio.
Caem os últimos confetes sobre meu peito
como um anúncio silencioso de adeus – falta amor
depois do carnaval.

Essa desilusão também é encontrada em Meditação, lá Gonçalves Dias queixava-se do povo que folgava e ria-se no dia de sua própria vileza. O povo ria-se e folgava como o escravo quando o Senhor, cansado de o futigar com varas, por um momento lhe tirava de diante dos olhos o ergásculo da sua ignomínia[9]. José Lins do Rego em Eurídice também recuperava esse tipo degradante, lá o velho e boêmio Faria interessava-se por muito pouca coisa, bastava que o Flamengo ganhasse e já estava satisfeito. Não são raros os casos de poetas e escritores que criticam a ineficácia da sociedade em face da entrega aos vícios. Há uma diferença cabal do amante de carnaval com os amantes do rock’n roll, porque como recorda o poeta:

E só depois do tiro de meta percebo
Que aquele trapo humano dormindo na calçada
Não é um integrante do bloco de sujos
E sim um mendigo de verdade
Cuja realidade não muda depois do carnaval.

Esse é o retrato de todas as maiores cidades do Brasil. Basta irmos aos pontos mais frequentados que encontramos uma horda de mendigos de todas as faixas etárias. Fui criado bem longe dessa realidade social. Acostumado às pequenas cidades de Mato Grosso, onde apenas quatro ultrapassavam a faixa dos cem mil habitantes, habituei-me a realidade de minicidades, inferiores a cinquenta mil almas. Depois de meia década de estudos em Coimbra – Portugal estive em 2011 no Rio de Janeiro para uma pesquisa na Biblioteca Nacional, não houve dia que eu não voltasse da Biblioteca para o meu aposento localizado a poucos metros do Rio-Sul que eu não visse uma horda de mendigos. Diziam-me os amigos, os conhecedores da Cidade Maravilhosa, que eu estava andando no melhor lugar dessa famosa urbe brasileira. Qualquer brasileiro que der uma volta pelo mundo, pelos países onde a distribuição de renda é mais igualitária, há-de repugnar e de sentir vergonha da nossa realidade. Quando Gonçalves Dias voltou para o Brasil em 1845, sentiu-se tão comovido que escreveu a sua reflexão em um texto chamado Meditação. Esse estranhamento foi sentido por Sousândrade. Marília Librandi estudando o poeta que viveu dividido sobre duas ilhas: Maranhão e Manhattan, convida-nos a pensar o Brasil não como um estrangeiro pode vê-lo, mas como um nativo pode estranhá-lo[10]. A realidade que o poeta sente ao refletir sobre sua nação é mais dolorida do que o estranhamento que ele possa sentir em face das outras. Muitas vezes, entretanto, é preciso que o poeta tenha de ir ao estrangeiro para conseguir ter essa abordagem; mas a realidade do Brasil atual não exige que o poeta vá ao estrangeiro, mas que conheça outras partes do país. Dessa forma o Brasil não é uma Judeia com feições da Babilônia. Uma Babilônia do Novo Mundo onde os escravizados são os filhos de antigos estrangeiros arrebatados e introduzidos à força por outro povo estrangeiro, obrigando a população nativa a mesclarem-se em quatro ambientes: uma minoritária adotadas para mandar; uma segunda mesclada entre aquelas que foram escravizadas e aquelas que ficaram numa intermediária que não eram nem senhores e nem escravos; uma terceira dizimada pelas guerras e doenças; e uma quarta que fugiu para o interior da terra e mais tarde alcançada pelo apetite da civilização Ocidental.
Na Judeia-Babilônia americana, o carnaval da esperança passa e os problemas continuam, diz o poeta. Esse coração que hiberna depois do carnaval é descrito num outro poema denominado A (re)volta dos mortos vivos:

Seus cérebros repousam enquanto assistem à tevê
O controle remoto que pensa, o canal que opina
Os mortos-vivos apenas ligam e desligam-se
Sem prazer, sem verdades
Sem vergonha, sem identidade

A problemática da televisão brasileira é notória. A elite do país e a sociedade pensadora critica com veemência à forma com que as notícias são dadas a população. Noticiários insistem em colaborar com a construção de uma sociedade assustada com a violência; vê-se cada vez mais bandidos serem entrevistados do que profissionais que colaboram para uma sociedade melhor. Nomes de traficantes e bandidos são tão conhecidos como o de estrelas da música. Diz-se muito mais sobre os políticos (turistas) corruptos do que dos políticos honestos e que tem contribuido nos bastidores com a sociedade. Não que estes problemas devam ser ignorados, já que existem; entretando dar-lhes mais espaço relegando ao esquecimento os homens anônimos que contribuem com uma sociedade melhor é uma injustiça jornalística. Mas, já na Grécia antiga a civilização percebeu essa propensão humana para a desgraça alheia e essa forma foi maximizada nos jogos de circo da antiga Roma, onde a população assistia embriagada outros homens serem entregues aos leões e as mais diversas sortes de animais selvagens e torturas. No poema de Carlos Brunno há essa lembrança dos homens da Idade Média, onde os vassalos viviam à inércia enquanto os patrões feudais inventavam máquinas modernas. O que mudou de lá para cá? Quase nada. Hoje em dia, os mortos-vivos revoltam-se com o final sem graça da novela, encerra Carlos Brunno. Estas máquinas modernas buscavam exatamente o entretenimento dos homens e o poeta comprova com a ignorância dos homens diante de uma coisa tão banal.
Essa ilusão, essa hipnose humana também é traduzida no poema A alma de nossas faltas. É comum nas redes sociais vermos as pessoas comemorarem a chegada do final de semana. Apossando-se dessa ideia, o poeta Carlos Brunno elege três dias para o poema: o sábado, o domindo e a segunda-feira. Em primeiro plano o sábado é o dia em que todos vão para as ruas, para festejarem, porque a cidade não para; entretanto, o domingo é o dia da ressaca. Na segunda-feira, a guerra adormece (numa referência ao poema Depois do carnaval), e o homem apossa-se da falsa crença de enriquecimento e por isso a cidade trabalha. O poeta denomina a alma de nossas faltas toda essa ineficácia humana: a entrega ao divertimento, a ressaca e a entrega ao desejo vão de enriquecer-se enquanto que a verdadeira alma é esquecida, aquela que pode ser vista em Não cantamos mais rock’n roll, contudo o pessimismo do poeta surge quando ele percebe que aquela juventude perdida está perdida para sempre. O sofrimento do poeta consciente do seu lugar na sociedade transmite-se no poema Solidão moderna; porque ao contrário dos homens hipnotizados pela modernidade, o poeta é um homem louco. Louco porque não pode ser compreendido pela socidade que ele compreendeu.
No poema Solidão moderna, o poeta evoca uma série de mortos-vivos e pode-se dizer que um poema seja parte do outro. Quando a madrugada perece e o dia amanhece o sol queima a esperança da menina vazia. Quem será? Naturalmente uma prostituta. Não é porque essa prostituta seja uma pecadora como julga a cristandade, porque o poeta na sua boemia não reconhece esse tipo de entrave religioso. Não há grandes diferenças entre os poetas e as prostitutas. Ambos não são compreendidos pela sociedade, embora essa julga tê-los compreendido; ambos são boêmios e possuem vícios censurados pela sociedade; ambos possuem hábitos noturnos; ambos se dão intensamente e não recebem nada em troca; é por isso que muitos dos poetas acabaram loucos e suicidaram-se diante da realidade fria do mundo. Contudo, a diferença cabal entre eles é que a prostituição ainda é um tabu, enquanto que o poeta moderno, apesar do desprezo social pelo seu ofício, goza de um certo status bajulador. Por isso, o poeta olha para a prostituta como quem olha para o espelho e traz a triste notícia: o sol que nasce ao amanhecer queimou a esperança da menina vazia. Librandi[11] analisando Sousândrade procurava a relação entre a poesia e o dinheiro e segundo ela: “na modernidade, se tornou moeda corrente, por assim dizer, a oposição entre poesia e dinheiro, explorada como um dos principais, senão o principal topos da literatura moderna.” Entretanto ela sugere que é preciso repensar essa relação, como sendo não apenas pura oposição, como sugere a própria poesia, mas com uma convergência paradoxal. A prostituta de Carlos Brunno é uma mulher vazia, não é porque ela não tenha nada a oferecer à sociedade, mas porque o que ela oferece não pode ser compreendido pelos homens. A esperança do poeta se queima com o sol que surge porque ele não tem esperanças no homem moderno, a esperança da prostituta se queima porque novamente ela não foi compreendida e volta para casa com o sentido de vazio no peito, quiçá o mesmo vazio que toma os poetas. Dessa forma, dinheiro e poesia encontram-se, porque a boemia também não se faz sem dinheiro, senão que sem isso cabe ao poeta mendigar; embora a mendigação seja uma forma de boemia.
Continuando nesse universo da boemia noturna, o poeta lembra das crianças nas calçadas, muitas vezes fugitivos do inferno de seus lares nos morros do Rio de Janeiro, estas crianças são chamadas por ele de criança-calçada e dormem cobertos pelo notícia-cobertor, numa clarividente referência aos jornais abandonados pela sociedade que depois de lidos são usados como cobertores por estes indivíduos que, apesar de se cobrirem de notícias, não podem sequer lê-los. Há uma diferença entre a criança-calçada e o poeta e a prostituta, contudo se assemelham uma vez que todos eles são impelidos para esse universo: o poeta pelo destino e a prostituta e a criança-calçada pela sociedade. Nem sempre a prostituta é fruto dessa exclusão social, porque em raras ocasiões elas são impelidas para esse universo pelo próprio destino, tal qual o poeta; mas, no caso supracitado pelo poeta Carlos Brunno, a prostituta é claramente uma mulher pobre que usa da noite para ganhar o pão do dia. Nesse universo da boemia o poeta depara-se com novas realidade social: o homem-estatística e o fila-desemprego. Estes adjetivos são sustíveis de diversas interpretações, contudo de acordo com a nossa leitura o homem-estatística é uma referência as vítimas da criminalidade que colaboram para o aumento da estatística de crimes sociais; já o fila-desemprego é uma referência aos serviços sociais que obrigam os cidadãos a levantarem-se de madrugada: seja a procura de emprego, seja a procura de uma vaga nos hospitais, para consulta médicas ou cestas básicas. O sol, diz o poeta, nasce e queima os sonhos, faz-se noite no mundo dos sonhos e a solidão brilha como uma estrela vadia.
A solidão moderna reaparece em outros dois poemas: Contemplação e Carnaval do terceiro milênio. No primeiro o poeta descreve a sensação do caos de luzes no céu e as intermináveis promessas do povo para o ano novo, enquanto do outro lado a lua guardava, exausta, os mistérios do futuro. Essa contemplação do poeta refere-se a entrada no século vinte e um que coincidiu com a entrada no terceiro milênio, celebrada no outro poema que lhe seguiu. A lua exausta é uma recordação da desilusão do poeta que sabe que já na Idade Média os homens eram ludibriados. A própria filosofia aristotélica reconhecia essa diferença entre os homens: Aristóteles e Platão já descreviam que uns nasciam para mandar e outros para obedecerem. Todos os filósofos posteriores reconheceriam essa mesma ordenação. Nem mesmo os mais animosos socialistas-comunicas como Karl Marx, Engels e Max Weber escondem que para a organização social era necessária a figura de um lider, cujo status por si só encerra uma diferença em relação aos demais. A temática da desigualdade social é tema do poema seguinte. Os brasileiros são chamados de viúvos de Cabral de Melo Neto, numa referência ao seu poema dramático: Morte e vida Severina. Mortos e vivos, severinos e mamelucos, os brasileiros são frutos da miscigenação do amor primitivo; mas as desigualdades surgem quando o poeta diz que os brasileiros também são um quadro inacabado de Portinari e de Anita Mafalti. As obras de Portinari retratavam questões sociais sem desagradar ao governo e aproximou-se da arte moderna europeia sem perder a admiração do público; já Anita Mafalti com suas pinturas deixava as pessoas desapontadas, pela expressão dantesca da sua obra. Mas o pintor dessa obra é um anjo malicioso que trocou a harpa e a auréola por um cavaquinho e um chapéu de palha. Obviamente que se trata de uma referência aos portugueses que abandonaram as comodidades da metrópole para se estabelecer na colônia, o Brasil. Foi o português que impulsionou a criação dessa Babel americana, e todas as diferenças, raciais, sociais e financeiras são frutos daquela árvore mirrada que eles plantaram em 1500.
O poema do Carnaval do terceiro milênio evoca os contrastes dessa nação: no corpo da mulata rica em beleza e no “pivete pobre de dar tristeza”, no atleta que sobe no pódio e no desempregado que cai no anonimado das estatísticas. Este carnaval triste, que esconde os sonhos lindos nas praias do Nordeste e Sudeste e os pesadelos no marasmo político de Brasília, a retrete do país, evocada no poema Partido partido. Esse sofrimento traz a triste declaração do poeta, convicto que “somos o país mais sorridente e também o mais carente”, o sonho de um Brasil que no terceiro milênio deve buscar uma ordem mais justa e um progresso mais ameno. Talvez os brasileiros sejam tão receptivos com os estrangeiros porque no fundo sejam carentes e não porque têm muito amor para distribuir. Darcy Ribeiro, comovido com o quadro social do país concluiu:

Todos nós brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente mais sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento de dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício de brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria[12].

Essa é a alma do brasileiro. Qualquer um que chega ao poder converte-se em um novo porco do chiqueiro ao invés de tornar-se um defensor da sociedade onde emergiu. Essa imagem remete-nos novamente a Geraldo Vandré, ele compôs na companhia de Théo de Barros a canção Disparada. Essa música venceu o Festival Internacional da Canção de 1966 dividindo o primeiro lugar com A Banda de Chico Buarque de Holanda. A referência:

Da boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu…

O novo vaqueiro surge quando cavalga sobre si mesmo. A ascensão social desse indivíduo acontece porque o dono da boiada precisa de um novo vaqueiro para ocupar o espaço de outro que morreu. Assim a ascensão é uma farsa à medida que o boiadeiro deixa de ser um boi. Esse novo vaqueiro trocará de chiqueiro sempre que necessário, porque a política é feita de causas e não de ideias. Mas o poeta tem uma esperança que remete para a bandeira nacional, a frase, ordem e progresso. Há muitas críticas porque o autor da bandeira nacional, Raimundo Teixeira Mendes, excluiu a frase completa de Augusto Comte. A frase do filósofo francês incluía o amor por princípio para se ter a ordem e o progresso. Poucos anos antes, Gonçalves Dias percebendo a corrente filosófica de seu tempo havia dito que a ordem e progresso eram inseparáveis[13]. Carlos Brunno vê progresso, mas não vê ordem. Gonçalves Dias usara a frase justamente para dizer que sem uma não se alcança a outra: “porque a ordem e progresso são inseparáveis; – o que realizar uma obterá a outra”. Há uma recepção por parte do poeta Carlos Brunno, embora possa ser que não tenha lido o Meditação, mas a estética da recepção, segundo Jauss[14], não exige que o poeta leia o poeta diretamente, senão indiretamente.
O estado da degradação social conduz o poeta ao poema dos Anjos sem asas. Nesse poema, o símile de um anjo sem asas é um adolescente de treze anos, quando ele resolveu voar, isto é, adquirir independência, saltou do décimo segundo andar – quiçá uma referência a sua idade. O anjo sem asas foi socorrido por um amigo de olhos cor de mercúrio, obviamente, uma referência do efeito causado pelo uso de narcóticos e entorpecentes. Mas, como é comum nos casos de entrega ao vício, o anjo voa até o céu para depois esborrachar na terra ao som de um canto gregoriano. Figura de linguagem que denota o sentido da tristeza e da reflexão trazida por estas músicas, cujo ofício conduz-nos no interior de nossas almas ao encontro de Deus. Na pessoa desse adolescente o poeta vê uma multidão de anjos sem asas, anjos fumando o cigarro proibido na espera da legalização, anjos entre o céu e o inferno esperando absolvição. Para descrever o julgamento desses anjos sem asas o poeta recorre aos Salmos:

“O que fizemos de errado?”
perguntam durante o Grande Julgamento
Não são anjos – não sabem voar
Não são demônios – são capazes de amar
Quem é Deus? Quem é Diabo?
Nada é claro no meio da fumaça
mas quem quem disse que seria mais fácil
sem esta névoa?

Eis a crua realidade social. O jovem entregue às drogas não tem grandes perspectivas fora dela. Nasce numa sociedade viciada, anomálica e sem pundonor. Por isso o poeta brasileiro quando vai ao estrangeiro volta estranhando a terra e a sua gente. Somos o povo mais feliz? Também somos o mais carente. Assim como Job procurava a causa do seu mal, estes anjos sem asas não sabem porque foram relegados à sentina e tornaram a corja da sociedade. São Pharmakós, scapegoat, bodes expiatórios de uma sociedade injusta. E dizia Frye que o Pharmakós não é culpado nem inocente[15]. É inocente no senso de que o que lhes acontece é muito maior do que aquilo que podiam provocar e são culpados porque são membros de uma sociedade culpada. Assim como o bode que nascia numa categoria culpada e devia ser oferecido em sacrifício para expiar a culpa do povo[16]. O que difere a violência no Brasil em relação a alguns países no mundo é que aqui o homem que é remetido à corja social é descendente do escravo liberto, cuja liberdade foi dada sob os estigmas da escravidão. Liberto e sem posse, sem condições de regressarem à África, os africanos se viram obrigados a continuarem no mesmo ofício, mas agora sem a responsabilidade do antigo senhor, o ex-escravo se viu relegado às margens da sociedade e passou à uma condição inferior a dos mestiços e indígenas. Ao cabo o poeta conclui:

Não podem ser julgados
pois o proibido é querido
o acessível é corruptível
a certeza é duvidosa
e o errado… o que é errado?

De fato, o pharmakós não era julgado em um tribunal, no entanto era oferecido em sacrifício. Na terra dos Tristes Carnavais uma malta de crianças e adultos mal crescidos são oferecidos em sacrifício, como um Cristo que morre pelo pecado de muitos. Neste caso, os anjos sem asas é que são oferecidos em sacrifícios, mortos pelos pecados de muitos: os setes pecados capitais de uma sociedade criada no regaço do cristianismo, que ensina o amor e pratica a indiferença… Assim, o que é errado? Porque a sociedade criou este conjunto de regras para remeterem uma quantia desses pobres miseráveis à condição de falhados? Quem falhou? Eles ou a sociedade que os pariu? Carlos Brunno conclui perguntando:

Alcançar os sonhos ultrapassando os limites da carne
ou ser julgado por não obedecer um conjunto de regras do jogo
que nunca lhes perguntaram se queriam participar?

Eis o Brasil, a anomalia social formada às custas do sangue dos escravos africanos, da exploração e matança dos índios e da ganância e usura do europeu. Mas olhemos para nós mesmos e perguntemo-nos: quem de nós não terá nas veias o sangue estóico destes índios, o sangue passivo destes africanos e o sangue vil deste europeu? Bem poucos são os brasileiros que poderão se gabar de não possuírem tal origem. Mas olhemos agora para o conjunto das nações nesta Estação Mundo: os alemães mataram muitos judeus e antes deles os romanos os expulsaram da Judeia, os mesmos romanos que praticariam o fascismo; os judeus voltaram para a Judeia e voltaram a matar os antigos filisteus – ou haverá alguém de sã consciência intelectual que não verá uma relação entre os palestinos de Gaza com esse povo inimigo citado na Bíblia? Os ingleses praticaram a segregação; os Estados Unidos fundaram a Libéria na tentativa de conter o aumento de negros em seu território; os chineses e indianos segregam e matam a sua própria gente desde a antiguidade. Nessa Estação Mundo, no Norte e no Sul, nações ditas brancas, privam a entrada de africanos e latino-americanos em seus territórios para evitarem a miscigenação de seus povos. Anders Behring Breivik citou o Brasil como o exemplo de uma anomalia social. No Brasil e no mundo as pessoas esbravejaram contra o assassino norueguês. Mas o fato é que a miscigenação nos conduziu a uma anomalia social e não podemos ignorar. Não que a miscigenação seja culpada porque essa responsabilidade cabe ao racismo e a diferença entre as raças que são milenares. Loucos como Breivik e Hitler são frutos de menor escala de uma sociedade global que assistiu a morte de milhares de Hutus diante da crença da superioridade Tútsi, essa crença subsidiara pelos Belgas e pela igreja Católica, a igreja que no passado decretou uma diferença entre os povos de cabelos corredios e cabelos encarapinhados[17] e mais tarde se retratou. Essa Estação Mundo, onde também os índios brasileiros foram dizimados em guerras justas; e na Austrália, onde a população nativa chegou quase a ser exterminada. Estes índios assassinados são aqueles mesmos que aterrorizaram os europeus com os seus costumes antropofágicos. Mas os europeus compravam deles um óleo santo que na verdade era gordura extraída nestes rituais[18]; os mesmos europeus que comiam em cerimônia religiosa o corpo de seu Deus[19]. Que sociedade será justa? Não quero com isso justificar a nossa anomalia social, mas dizer que nenhum povo no mundo está apto a dizer-nos o nosso defeito sem olhar para dentro de si e encontrar as suas falhas, tal como Carlos Brunno detectava em A alma de nossas faltas.
Voltemos ao início do artigo.
Comentando a sua obra, Oscar Niemeyer afirmou: «Suor, sangue e pobreza marcaram a história da América Latina tão desarticulada e oprimida. Agora urge reajustá-la num monobloco intocável, capaz de fazê-la independente e feliz». A estátua é um emblema deste continente colonizado brutalmente e até hoje em luta por sua identidade e autonomia cultural, política e sócio-econômica. A Mão em cuja palma vemos o mapa da América Latina como que em sangue escorrendo pelo braço. Eis a Estação Mundo, da qual o Brasil faz parte. Talvez, num destes tristes carnavais os brasileiros se lembrem que são descendentes de estóicos índios e ao invés de hibernarem em suas casas diante da televisão e de protestarem contra o final sem graça da novela, irão para as urnas com a mesma goela que vimos nessa onda de protestos que assistimos nos meados desse ano. Assim quem sabe nessa Nossa estação tiraremos alguns porcos dos chiqueiros e poremos lá porcos novos e privemos que alguns anjos sem asas pularem do décimo-segundo andar, que criança-calçada se cubram com notícias-cobertores. Nem que a sociedade continue a não compreender as prostitutas e poetas, ao menos a agulha do palheiro se sentirá acompanhada de novas agulhas e as estátuas dos loucos e mártires, ditadores e sonhadores se pareçam mais conosco e menos com os deuses. O trem chegou na Estação, é hora de partir.

BIBLIOGRAFIA CITADA


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[1] Possui Licenciatura Plena em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2006), é Mestre em Poética e Hermenêutica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (2009) e Doutorando em Poética e Hermenêutica na mesma UniversidaDE, cuja defesa da tese de doutorado está marcada para 3 de Janeiro de 2013. É Membro do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos de Coimbra desde 2008, Possuiu uma Bolsa de Doutorado financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal que se encerrou em Dezembro de 2013. Autor de quatro obras e diversos artigos publicados inclusive no exterior (Argentina e Dinamarca), as obras são: A dimensão antiépica de Virgílio e o Indianismo de Gonçalves Dias, Coimbra, CECH, 2011; Carrapicho, São Paulo, Ixtlan, 2011; Estudos de Hermenêutica e Antiguidade Clássica, Coimbra, Ed. de Autores (2013), este último em parceria com Katsuzo Koike; Jaracatiá, São Paulo, Ixlan, 2013.
[2] As seis estações são: Estação de embarque (A Estação Inicial); Estação Mundo (Nossa estação); Estação Tu (Tua estação); Estação Eu (Minha estação); Estação Amores (Estação desencontrada); Estação Eternidade (A Estação Final).
[3] Cunha, 2000, 86.
[4] Cunha, 2000, 86.
[5] Cunha, 2000, 86-87.
[6] Levítico 11:7; Deuteronômio 14:8.
[7] Dias, 1998, 755-756. Med. 3.12.
[8] Dias, 1998, 743. Med. 3.2.10.
[9] Dias, 1998, 755. Med. 3.12.7-8.
[10] Librandi, 2003, 130.
[11] Librandi, 2008, 145.
[12] Ribeiro, 1995, 120.
[13] Dias, 1998, 756. Med. 3. 12. 11.
[14] Jauss, 1978, 38; Brunet, 1983, 73.
[15] Frye, 1957, 41-42. Objeto citado em Grizoste, 2013, 73-77 (a).
[16] Levítico 16:21-22. Objeto citado em Grizoste, 2013, 72 (a).
[17] Caminha, 1948, 205;  Brandão, 1943, 94-128. 
[18] Jean de Léry Apud Sáez, 2007, 11 ; Objeto Citado em Grizoste, 2013, 61-62 (b).
[19] Sáez, 2007, 12.